Religador Automático Monofásico: automação de redes rurais e monofásicas com telemetria IoT e redução de custos

HVEX | Guilherme Ferrazpor Guilherme Ferraz · 1 minuto · 28 de jul. de 2026

Aplicação em ramais monofásicos, redes MRT e integração a redes inteligentes — HVEX | Itajubá, MG

Resumo executivo

Grande parte do território atendido pelas distribuidoras brasileiras é servida por redes rurais extensas, de baixa densidade de carga, construídas em topologia monofásica — incluindo sistemas MRT (monofilar com retorno por terra). São justamente essas redes as mais expostas a faltas transitórias por vegetação, descargas atmosféricas e animais, e as mais caras de atender: cada ocorrência exige o deslocamento de uma equipe por dezenas ou centenas de quilômetros, muitas vezes para simplesmente substituir um elo fusível que operou para uma falta que já havia desaparecido. O resultado são indicadores DEC e FEC pressionados exatamente nos conjuntos onde a compensação por transgressão de limites mais pesa.

Este white paper apresenta o religador automático monofásico como resposta de engenharia a esse problema: os fundamentos do religamento por fase, a aplicação em ramais rurais e redes monofásicas, a comparação econômica com as alternativas (elo fusível e religador trifásico) e a integração a redes inteligentes por comunicação celular IoT. Mostra ainda como o Religador Automático Monofásico HVEX — autoalimentado por TPC interno, com interrupção a vácuo, proteção embarcada e comunicação NB-IoT/GPRS com protocolo MQTT — leva automação, telemetria e religamento a pontos da rede onde o religador trifásico convencional não se justifica economicamente.

1. O desafio das redes rurais e monofásicas

As redes de distribuição rurais brasileiras combinam três características que desafiam a operação: extensão (ramais de dezenas de quilômetros), exposição (travessias de mata, áreas de queimada, alta densidade de descargas atmosféricas) e baixa densidade de consumidores. Nessas condições, a proteção tradicional do ramal — o elo fusível — cobra um preço operacional elevado: o fusível não distingue falta transitória de permanente e, uma vez fundido, só o deslocamento de uma equipe restabelece o fornecimento. Na literatura internacional, o mesmo diagnóstico motivou concessionárias a substituir chaves fusíveis de ramais rurais por religadores monofásicos, com melhoria imediata dos indicadores de confiabilidade [3].

No Brasil, o quadro regulatório amplifica o incentivo: em 2024, o DEC médio nacional foi de 10,24 horas e o FEC de 4,89 interrupções, e os conjuntos rurais situam-se sistematicamente acima dessas médias [1]. Como os limites por conjunto são definidos pela ANEEL por comparação de desempenho e sua violação gera compensação financeira automática ao consumidor, os ramais rurais concentram, para muitas distribuidoras, a maior oportunidade de melhoria de indicadores por real investido.

As redes MRT — solução consagrada de eletrificação rural que utiliza um único condutor de fase com retorno de corrente pela terra — agravam o desafio: o custo por consumidor é baixo, mas a proteção e o seccionamento dessas redes exigem equipamentos monofásicos, e a distância dos centros de operação torna cada deslocamento particularmente caro. Automatizar a proteção desses ramais com equipamentos monofásicos compactos e telecomandados é o caminho natural de modernização.

2. Fundamentos: religamento automático por fase

O religador monofásico aplica a uma única fase o mesmo princípio do religamento automático convencional: detectada a sobrecorrente, a chave abre, aguarda o tempo morto parametrizado e refecha; se a falta era transitória — a imensa maioria nas redes aéreas —, o fornecimento é restabelecido em segundos, sem intervenção humana; se persiste, o ciclo se repete até o número programado de tentativas e o dispositivo trava aberto, isolando o defeito e protegendo o restante da rede [2][7].

A diferença decisiva em relação ao religador trifásico está na granularidade e no custo. Instalado no início de um ramal monofásico, o religador monofásico isola apenas a fase e o trecho afetados: uma falta no ramal deixa de sensibilizar a proteção do tronco, e os consumidores das demais derivações nem percebem o evento. O equipamento é compacto, leve e de instalação simples em estruturas existentes — atributos que permitem multiplicar os pontos de religamento e seccionamento automático pela rede a uma fração do custo da alternativa trifásica.

Um avanço técnico recente tornou essa multiplicação ainda mais viável: a autoalimentação. Religadores monofásicos de última geração dispensam painel de controle externo e transformador auxiliar, alimentando sua eletrônica por transformador de potencial capacitivo (TPC) interno, sem exigência de corrente mínima de carregamento na rede. Elimina-se assim boa parte do custo de instalação e dos pontos de falha associados a cabos de controle e fontes auxiliares.

3. Aplicação em campo: ramais rurais e redes MRT

A Figura 1 ilustra a aplicação típica: um alimentador com tronco trifásico protegido por religador trifásico na saída da subestação e ramais monofásicos — incluindo um ramal MRT — protegidos por religadores monofásicos instalados no início de cada derivação. Uma falta transitória no ramal (galho, descarga atmosférica, animal) é eliminada localmente pelo ciclo de religamento do dispositivo monofásico; o tronco e os demais ramais permanecem energizados, e a ocorrência não gera deslocamento de equipe nem interrupção sustentada.

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Figura 1 – Aplicação do religador monofásico em rede rural: religadores monofásicos no início dos ramais (incluindo ramal MRT com transformador monofilar e retorno por terra) garantem seletividade com o religador trifásico do tronco. Elaboração: HVEX, com base em [3][6][7].

Os critérios de aplicação seguem a lógica clássica da proteção de distribuição: o religador monofásico deve coordenar com a proteção do tronco a montante (suas curvas devem ser mais rápidas que as do religador trifásico para faltas no ramal) e com eventuais elos fusíveis a jusante — podendo operar em filosofia fuse saving, preservando os elos nas faltas transitórias. Funções de restrição de inrush e partida de carga fria evitam atuações indevidas na reenergização de transformadores e cargas rurais após interrupções longas, e o bloqueio de linha viva (hot line tag) assegura que não haverá religamento enquanto equipes trabalham no trecho.

Em redes MRT, a sensibilidade da proteção de sobrecorrente deve considerar as correntes de falta reduzidas típicas do retorno por terra; a parametrização flexível de pickup e curvas do religador monofásico, aliada à medição local de tensão e corrente, permite ajustar a proteção às condições reais de cada ramal — algo impossível com elos fusíveis de curva fixa.

4. Integração a redes inteligentes: telemetria, IoT e self-healing

A segunda dimensão do religador monofásico moderno é ser um sensor e atuador remoto da rede inteligente. A Figura 2 ilustra a arquitetura: o equipamento mede tensão, corrente, potências, fator de potência, frequência e distorção harmônica no ponto de instalação, registra faltas, distúrbios, oscilografia e sequência de eventos (SOE), e publica esses dados por rede celular — NB-IoT ou GPRS/EDGE — usando o protocolo MQTT, padrão consolidado de IoT. Na direção inversa, o centro de operação envia comandos de abertura e fechamento e ajusta grupos de parametrização remotamente, via navegador web.

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Figura 2 – Integração do religador monofásico à rede inteligente: telemetria e eventos publicados por NB-IoT/GPRS com protocolo MQTT à plataforma IoT e ao centro de operação (DMS/SCADA); comandos e parametrização remota no sentido inverso. Elaboração: HVEX, com base em [4][6][7].

Essa conectividade transforma o papel do dispositivo na operação. A distribuidora passa a enxergar, em tempo quase real, pontos da rede rural antes completamente cegos: a ocorrência que antes era conhecida apenas pela ligação do consumidor chega agora como evento telemedido, com oscilografia para diagnóstico. Integrado ao DMS/OMS, o religador monofásico participa de esquemas de automação e self-healing — localização de falta, isolamento e restabelecimento (FLISR) —, cuja eficácia é amplamente documentada: estudos do Departamento de Energia dos EUA reportam reduções de até 55% nos consumidores interrompidos e 53% nos minutos de interrupção por evento [4].

Há ainda um benefício regulatório direto: com registro local de eventos e comunicação contínua, a distribuidora documenta com precisão o início e o fim de cada interrupção, qualificando a apuração de DEC e FEC e fundamentando a gestão dos conjuntos junto ao regulador.

5. O Religador Automático Monofásico HVEX

O Religador Automático Monofásico HVEX é uma chave de comutação sob carga com câmara de interrupção a vácuo e mecanismo de solenoide com mola de pré-inserção, montada em carcaça de alumínio, em conformidade com as normas IEC 62271-111 e IEEE C37.60 [6][7]. O equipamento dispensa painel de controle externo e corrente mínima de carregamento: sua eletrônica é autoalimentada por TPC interno, com retificação para 24 VDC e capacitor de disparo capaz de operar mesmo em eventos transitórios e com bateria baixa. A função de bloqueio eletromagnético mantém a posição ABERTO/FECHADO de forma segura, e a alavanca com indicação ON/OFF, visível do solo, permite operação manual local.

A proteção embarcada inclui sobrecorrente instantânea, temporizada e direcional de fase, sub e sobretensão, religamento (ANSI 79), verificação de sincronismo, proteção de frequência, restrição de inrush, partida de carga fria e bloqueio de linha viva, com múltiplos grupos de parâmetros. A medição abrange corrente, tensão, potências, energia, fator de potência, frequência, THD de tensão e corrente e valores true RMS, com registro de faltas, distúrbios, SOE, perfil de carga e oscilografia. A comunicação nativa por NB-IoT e GPRS/EDGE com protocolo MQTT e a parametrização via navegador web completam o conjunto [6][7]

Característica

Especificação

Tensão máxima nominal

15 kV

Tensão suportável a freq. industrial (1 min)

50 kV

Nível básico de isolação (NBI)

110 kV

Corrente nominal

400 A

Corrente suportável de curta duração

12,5 kA (4 s); pico de 25 kA

Interrupção / acionamento

Câmara a vácuo; solenoide com mola de pré-inserção (atuador magnético)

Tempo de eliminação de falta

< 50 ms

Vida útil

10.000 operações

Alimentação

Autoalimentado por TPC interno (127 VAC com retificação para 24 VDC); sem painel de controle externo

Funções de proteção (ANSI)

50P, 51P, 67P, 27/59, 79, 25, 81 O/U/R, restrição de inrush, cold load pickup, hot line tag; múltiplos grupos de ajuste

Comunicação

NB-IoT e GPRS/EDGE (850/900/1800/1900 MHz); protocolo MQTT nativo; parametrização via navegador web (IP)

Grau de proteção / peso

IP-54 / 35 kg (tanque de 660 × 598 × 225 mm)

Normas

IEC 62271-111, IEEE C37.60

5.1 Aplicações típicas

•       Ramais monofásicos rurais: substituição de elos fusíveis por religamento automático com telemetria;

•       Redes MRT (monofilar com retorno por terra): proteção parametrizável e seccionamento automático de trechos remotos;

•       Derivações monofásicas de alimentadores urbanos e periurbanos: seletividade fina sem interrupção do tronco;

•       Pontos de monitoramento da rede: medição de qualidade (THD, perfil de carga) e oscilografia em locais sem infraestrutura de comunicação;

•       Esquemas de automação e self-healing em conjunto com religadores trifásicos e o sistema DMS/OMS da distribuidora.

6. Benefícios operacionais mensuráveis

Os ganhos do religador monofásico são diretos e quantificáveis. Redução de FEC e DEC: faltas transitórias no ramal — a maioria absoluta — deixam de gerar interrupção sustentada, e as permanentes ficam confinadas à fase e ao trecho defeituosos [2][6]. Redução de custos operacionais: eliminam-se deslocamentos para troca de elos fusíveis e inspeções exploratórias em ramais extensos, e a autoalimentação por TPC dispensa painel externo, transformador auxiliar e sua manutenção. Redução de custos de aquisição frente à automação trifásica de ramais que não a exigem. Segurança: menos intervenções em campo, bloqueio de linha viva para proteção das equipes e operação manual visível do solo. E visibilidade: telemetria contínua, eventos e oscilografia de pontos da rede antes invisíveis, qualificando a operação, o planejamento e a apuração regulatória.

7. Conclusão

A modernização das redes rurais e monofásicas não exige transplantar para o ramal a solução do tronco: exige o equipamento certo para a escala do problema. O religador monofásico autoalimentado, com interrupção a vácuo, proteção parametrizável e comunicação IoT nativa, entrega religamento automático, seletividade e telemetria exatamente onde o elo fusível só oferecia interrupção e deslocamento de equipe — e o faz com custo compatível com a densidade de carga dessas redes.

O Religador Automático Monofásico HVEX foi desenvolvido para esse papel: levar automação, proteção avançada e integração a redes inteligentes aos ramais monofásicos e MRT do sistema de distribuição brasileiro. Para conhecer o equipamento e o datasheet completo, acesse hvex.com.br ou agende uma reunião com nossa equipe técnica.

Fotos reais

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Referências

[1] ANEEL. Resultados do desempenho das distribuidoras na continuidade do fornecimento de energia elétrica em 2024 (DEC 10,24 h; FEC 4,89). Brasília, 2025. https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/noticias/2025/aneel-divulga-os-resultados-do-desempenho-das-distribuidoras-na-continuidade-do-fornecimento-de-energia-eletrica-em-2024

[2] IEEE Std C37.60 / IEC 62271-111, High-voltage switchgear and controlgear – Automatic circuit reclosers for alternating current systems up to and including 38 kV. IEEE/IEC.

[3] S&C ELECTRIC COMPANY. Single-Phase Reclosers on Rural Distribution Lines Help Utility Improve Reliability (estudo de caso). https://www.sandc.com/en/case-studies/single-phase-reclosers-on-rural-distribution-lines-help-utility-improve-reliability/

[4] U.S. DEPARTMENT OF ENERGY. Fault Location, Isolation, and Service Restoration Technologies Reduce Outage Impact and Duration. Smart Grid Investment Grant Program, 2014. https://www.energy.gov/sites/prod/files/2016/10/f33/Fault_Location_Impact_Duration_Dec_2014.pdf

[5] T&D WORLD. Automatic Circuit Reclosers for Single-Phase Earth Faults on Distribution Grids. https://www.tdworld.com/test-and-measurement/article/20965686/automatic-circuit-reclosers-for-single-phase-earth-faults-on-distribution-grids

[6] HVEX. Religador automático monofásico – página do produto. https://hvex.com.br/solutions/protecao/religador-automatico-monofasico-pra-redes-de-distribuicao

[7] HVEX. Religador Automático Monofásico – Datasheet técnico. https://space-website.nyc3.digitaloceanspaces.com/produtos-datasheet/1742474726043-Religador_Automatico_Monofasico_Datasheet.pdf

HVEX | Guilherme Ferraz
Guilherme Ferraz

Guilherme Ferraz é engenheiro eletricista, e CEO da HVEX. Possui doutorado e mestrado em Sistemas Elétricos de Potência pela Universidade Federal de Itajubá, trazendo conhecimento profundo e visão estratégica para a empresa.

Citação

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