Como as perdas não técnicas afetam a energia no Brasil

HVEX | Equipe HVEXpor Equipe HVEX · 6 minutos · 16 de mai. de 2024

Estima-se que as perdas não técnicas correspondam a cerca de 3% da tarifa de energia elétrica no Brasil, gerando um prejuízo de aproximadamente 10,3 bilhões de reais ao setor elétrico brasileiro.

Perdas não técnicas: desafios e impactos

No setor elétrico, tanto as linhas de transmissão quanto as redes de distribuição podem sofrer perdas de energia elétrica. 

As perdas técnicas estão diretamente relacionadas a fatores como resistência elétrica, transformações de energia e dissipação de calor durante o transporte e distribuição da eletricidade.

 Por outro lado, as perdas não técnicas são ocasionadas por práticas ilegais, fraudes e erros no sistema de medição e faturamento.

O que são perdas não técnicas?

As perdas técnicas referem-se à energia elétrica perdida no processo de distribuição, mas não está relacionada a fatores técnicos, como falhas ou problemas na infraestrutura elétrica.

As principais causas das perdas não técnicas são:

  • Ligação clandestina: popularmente conhecida como "gato", é a forma mais comum de perda não técnica. Ocorre quando um consumidor se conecta à rede elétrica irregularmente, sem pagar pela energia consumida.

  • Fraude nos medidores: envolve a adulteração do medidor de energia para registrar um consumo menor do que o real. Essa prática pode ser feita de diversas maneiras, como utilizando ímãs, fios ou outros dispositivos.

  • Erros de medição e faturamento: podem ocorrer por falhas nos equipamentos de medição, erros de leitura ou digitação, ou falhas nos sistemas de faturamento das empresas.

  • Incoerência na medição: essa situação ocorre quando o medidor de energia registra um consumo inferior ao consumo real do cliente, por diversos motivos como defeitos no medidor, falhas na instalação ou erros na programação.

  • Inadimplência: refere-se à falta de pagamento das contas de energia por parte dos consumidores.

Causas e consequências

O furto de energia, realizado por meio de ligações clandestinas e desvios diretos na rede, assim como a fraude de energia, despontam como as principais causas das perdas não técnicas. Essas práticas ilegais, conhecidas como “gatos”, não apenas comprometem a integridade do sistema elétrico, mas também têm um impacto direto na sustentabilidade financeira das distribuidoras de energia.

Ao promover ligações clandestinas e desvios na rede, são criados riscos para a segurança do sistema elétrico, aumentando consideravelmente a possibilidade de acidentes e interrupções no fornecimento de energia. Portanto, no contexto brasileiro, as perdas não técnicas assumem um impacto significativo no setor elétrico, resultando em prejuízos financeiros para as empresas de distribuição de energia, que por sua vez repassam essas perdas aos consumidores aumentando as tarifas de eletricidade.

Quem paga a conta de quem furta energia?

Infelizmente, o consumidor regular acaba por arcar com os custos decorrentes de fraudes e furtos de energia. Esses valores são, posteriormente, repassados para as tarifas de eletricidade, impactando diretamente o bolso dos consumidores.

No entanto, é importante ressaltar que os valores regulatórios dessas perdas, estabelecidos com base em critérios de eficiência, são menores do que os valores praticados pelas concessionárias de distribuição.

O papel da ANEEL na regulação das perdas não técnicas

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) adota um modelo de regulação por incentivos, o qual visa estimular a eficiência e a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias. Nesse sentido, ao identificar ineficiência na gestão de uma concessionária, ela limita o repasse para a conta de energia dos consumidores.

Essa abordagem visa incentivar as distribuidoras de energia a adotarem medidas para combater as perdas não técnicas. Entre elas estão investimentos em tecnologias de monitoramento e detecção de fraudes, campanhas educativas e aprimoramentos na fiscalização. Ao controlar as comerciais, as concessionárias podem reduzir os custos operacionais e diminuir o impacto financeiro sobre os consumidores.

No entanto, é crucial que as ações de combate às perdas não técnicas sejam efetivas e contínuas, a fim de garantir a equidade no sistema elétrico e evitar que os consumidores sejam penalizados injustamente. Além disso, a conscientização e a participação ativa dos consumidores desempenham um papel importante nesse processo, por meio da denúncia de casos de fraudes e da contribuição para a promoção de um setor elétrico mais justo e sustentável.

Em resumo, embora o consumidor regular precise arcar com parte dos custos das perdas não técnicas, a regulação por incentivos da ANEEL limita esse impacto e estimula a eficiência das concessionárias de energia. Para assegurar a justiça e a equidade no sistema elétrico brasileiro, são fundamentais a implementação de ações efetivas de combate às fraudes e furtos, juntamente com a conscientização e a participação dos consumidores.

Desafios e soluções

A redução das perdas não técnicas é uma meta crucial para o setor elétrico brasileiro alcançar maior eficiência e sustentabilidade. Para enfrentar esse desafio, é necessário um esforço conjunto que envolva as distribuidoras de energia, o governo e os consumidores.

Nesse sentido, tecnologias avançadas de medição e monitoramento desempenham um papel fundamental na identificação e prevenção dessas perdas. O uso de medidores inteligentes e sistemas de detecção de fraudes possibilita a identificação de ligações clandestinas e manipulações nos medidores de energia.

Além disso, é essencial uma fiscalização rigorosa e a aplicação de penalidades adequadas para desencorajar práticas ilegais e fraudulentas. Por meio de campanhas de conscientização e educação, é possível envolver a sociedade na luta contra as perdas comerciais.

BlockNote image

O cenário nacional e o futuro da gestão de energia

HVEX, em parceria com o Grupo Energisa e como parte do programa de P&D da ANEEL, desenvolveu o Omni Trafo, um sistema inteligente de monitoramento criado para elevar o nível de eficiência, segurança e confiabilidade em redes de distribuição de energia elétrica.

Projetado para integrar transformadores às redes inteligentes (Smart Grids), o Omni Trafo fornece informações em tempo real sobre os principais parâmetros do sistema, como tensão, corrente, potência, energia, sobrecarga e temperatura.

Graças à sua capacidade avançada de processamento de dados, é possível obter uma visão detalhada sobre os ativos e redes monitoradas, permitindo a identificação de falhas antecipadas, desequilíbrios de fase, hotspots e problemas relacionados à qualidade da energia. Além disso, a tecnologia possibilita detectar perdas técnicas e consumo antieconômico, promovendo maior eficiência energética.

Ao implementar o Omni Trafo, é possível otimizar processos, reduzir custos e aumentar a vida útil dos transformadores, graças à sua conectividade avançada, que disponibiliza todos os dados e registrados do ativo na plataforma web Shield-X, garantindo uma operação moderna, confiável e inteligente.

Se a sua empresa busca por eficiência energética, redução de perdas e gestão inteligente da energia elétrica, o Omni Trafo é a solução ideal. Entre em contato conosco e descubra como essa tecnologia pode transformar sua estratégia de energia.

MONITORAMENTO INTELIGENTE Dados em tempo reai de tensão, cortente, porença, potência e energia Analise de vida útil e ates (técnicas e não têcnicas).png

Descubra como o Omni Trafo pode auxiliar na gestão energética da sua empresa!

HVEX | Equipe HVEX
Equipe HVEX

Pioneira na fabricação de equipamentos de alta tensão no Brasil, a HVEX desenvolve a melhor forma de atender seu público-alvo, a partir da pesquisa de novas tecnologias e de novas metodologias de estudos e ensaios para a indústria nacional.

Citação

Se você utilizar o ARTIGO em uma publicação científica, agradecemos as citações do projeto através da norma ABNT