O setor elétrico é um alvo atraente para ataques cibernéticos, ao ser essencial para o funcionamento da sociedade. As redes de energia elétrica são complexas e interconectadas, o que dificulta proteger contra ataques.
A Segurança Cibernética no Setor Elétrico é uma abordagem essencial para proteger os sistemas elétricos e auxiliares contra ameaças cibernéticas prejudiciais, como ataques de hackers e infestações por malware*.
*Malware: termo que descreve qualquer software malicioso projetado para prejudicar ou explorar qualquer dispositivo, serviço ou rede programável. Os criminosos cibernéticos costumam usá-lo para extrair dados que podem ser utilizados das vítimas para obter ganhos financeiros.
Com a crescente digitalização e automação das redes elétricas, a dependência de tecnologias de informação e comunicação tornou o setor elétrico mais vulnerável a esse tipo de ataque. Esses ataques podem resultar em interrupções no fornecimento de energia, danos físicos a equipamentos e até ameaças à segurança pública.
Como acontece um ataque cibernético em redes SCADA ou ICS?
1. Acesso Inicial:
Spear-phishing: Nessa etapa, os atacantes utilizam técnicas de engenharia social* para enviar e-mails ou mensagens falsas que parecem legítimas. O objetivo é enganar os destinatários para que eles cliquem em links maliciosos ou baixem anexos comprometidos.
Infecção por Malwares:
Caso o alvo caia na armadilha do spear-phishing, o atacante pode implantar malwares no sistema da vítima. Eles podem ser cavalos de Troia (trojan), ransomware ou qualquer outro tipo de software malicioso projetado para comprometer a segurança do sistema.
*Engenharia social é uma técnica usada por criminosos virtuais para induzir usuários desavisados a enviar dados confidenciais, infectar seus computadores com malware ou abrir links para sites maliciosos.
Os criminosos usam uma variedade de técnicas para enganar as vítimas, incluindo:
- Pseudônimos
- Pressão psicológica
- Sensação de urgência
- Manipulação emocional
2. Reconhecimento:
Aprendizado sobre as redes de computadores:
Nessa fase, os atacantes exploram a rede e identificam seus alvos e vulnerabilidades. Eles procuram entender a topologia da rede e a localização de sistemas críticos.
Extração de Informações:
Os invasores coletam informações sobre a infraestrutura, configurações e dados de interesse. Isso os ajuda a planejar os próximos passos do ataque.
3. Roubo de Credenciais:
Nomes de usuários e senhas:
Os atacantes buscam roubar credenciais válidas para acessar sistemas e dispositivos críticos. Isso pode ser feito por meio de ataques de força bruta, onde tentam várias combinações de nomes de usuários e senhas até encontrar as corretas. Para minimizar os ataques, recomenda-se o uso de 2FA ou Autenticação de 2 Fatores no Brasil.
Escalação de Privilégios:
Uma vez que os invasores obtêm credenciais, eles podem tentar elevar seus privilégios para ganhar acesso a sistemas de alto nível e executar ações mais prejudiciais.
4. Movimento Lateral:
Investigação nos Sistemas Alvos: Os atacantes exploram os sistemas comprometidos, procurando outras máquinas ou dispositivos que podem ser usados como ponte para avançar na rede.
Interação com Dispositivos: Os invasores interagem com dispositivos e sistemas para entender melhor seu funcionamento e buscar oportunidades para realizar ações prejudiciais.
5. Etapas Finais:
️Execução de Comandos: Os atacantes executam comandos que podem causar interrupções, alterações ou danos ao funcionamento dos sistemas alvos.
Alterações no Funcionamento de Dispositivos: Os invasores podem modificar as configurações dos dispositivos para alterar seu comportamento, prejudicando o funcionamento normal.
Mudanças de Configurações: Os atacantes podem fazer mudanças maliciosas nas configurações dos sistemas, visando comprometer a segurança, afetar a operação ou obter controle indevido. Normalmente há também a criptografia de arquivos que os atacantes pedem a senha por meio de pagamentos milionários em bitcoin ou outras moedas digitais.
Ataques cibernéticos recentes:
O setor elétrico brasileiro tem sido alvo de uma série de invasões cibernéticas nos últimos anos. Em 2021, a empresa de energia elétrica Light foi alvo de um ataque que causou uma interrupção no fornecimento de energia para mais de 2 milhões de pessoas no Rio de Janeiro.
Em 2022, a empresa de energia elétrica Enel foi alvo de um ataque que causou uma interrupção no fornecimento de energia para mais de 1 milhão de pessoas na região metropolitana de São Paulo.
Esses ataques têm gerado preocupações sobre a segurança do setor elétrico brasileiro. O setor é essencial para a economia e para a sociedade, e uma interrupção no fornecimento de energia pode ter um impacto significativo na vida das pessoas.
O governo brasileiro tem tomado medidas para melhorar a segurança cibernética do setor elétrico. Em 2021, o governo criou o Centro Nacional de Coordenação de Incidentes Cibernéticos (CNCI), responsável por coordenar a resposta a ataques cibernéticos em infraestruturas críticas, incluindo o setor elétrico.
O governo também trabalha com empresas de energia elétrica para melhorar a segurança cibernética de suas redes. Essas empresas estão implementando medidas de segurança, como firewalls e antivírus, e estão treinando seus funcionários sobre segurança cibernética.
As medidas de segurança cibernética no setor elétrico incluem:
1. Proteção de Infraestrutura Crítica: Empresas elétricas devem identificar e proteger infraestruturas críticas, como usinas, subestações e sistemas de transmissão, contra ataques cibernéticos.
2. Monitoramento e Detecção: Sistemas de monitoramento em tempo real são fundamentais para identificar comportamentos anormais nos sistemas, sinalizando possíveis intrusões ou ameaças.
3. Segurança de Rede e Comunicação: É crucial proteger as redes de comunicação para evitar acesso não autorizado e interceptação de informações sensíveis.
4. Atualizações de Software: Manter sistemas e softwares atualizados com correções de segurança ajuda a mitigar vulnerabilidades conhecidas.
5. Treinamento e Conscientização: Educar funcionários sobre práticas seguras de TI é vital para prevenir ataques baseados em engenharia social.
6. Isolamento de Redes Críticas: Separar redes operacionais das de TI evita que um ataque afete diretamente os sistemas de controle.
7. Gestão de Acesso: Controles rigorosos de acesso garantem interações apenas por pessoal autorizado.
8. Resposta a Incidentes: Planos de resposta a ataques cibernéticos ajudam a mitigar danos e retomar operações normais.
9. Testes de Penetração: Avaliar regularmente a resistência dos sistemas a ataques via testes de penetração.
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